As capas de revistas não apresentam a realidade da maioria das mulheres. Buscam iludir e impor um padrão de beleza utópico e assim seguem lucrando ano após ano com propagandas de produtos de beleza. Liberte-se. Por de trás de toda base, blush, batons e delineadores sempre há uma história real, com desafios e superações.
   Nossas experiências nos tornam únicas e especiais. Nossas cicatrizes, estrias e varizes são marcas da nossa história de vida. Elas dizem sobre o caminho que percorremos e também sobre o que será percorrido.
   O Projeto Fotográfico Liberte-se tem como objetivo apresentar através da imagem nua e crua a história de algumas mulheres. Todas somos maravilhosamente formadas pelas nossas dificuldades, traumas e superações que aparecem ao longo de nossas vidas.
   O nome Liberte-se veio com o objetivo de enfatizar a constante evolução da auto libertação, a constante necessidade de não se importar. Liberte-se do que os outros pensam de você. Liberte-se da preocupação de não poder usar a roupa que quer. Liberte-se e seja quem você realmente quer ser, e não o que os outros esperam de você.
   Para poder contar essas histórias,  fizemos algumas perguntas para as mulheres participantes com relação a sua trajetória e a aceitação do seu corpo. Tais histórias serão contadas a seguir:
Tatiana
Mulher guerreira, analista de suporte e fotógrafa, 41 anos, mãe de duas meninas. Ela admira seus olhos porque  refletem tudo sobre si: sua bondade, sua aflição, sua paz, suas preocupações, sua indiferença, seu amor e sua gratidão. Ela nasceu com uma deficiência congênita na perna esquerda e tem uma grande cicatriz decorrente de inúmeras cirurgias corretivas. Apesar de sempre ter vergonha de usar qualquer roupa que mostre suas pernas, não deixa de usa-las pois vê a importância na sua atitude diante dos problemas.
Sua mãe teve depressão. Após presenciar seu pai agredir sua mãe, eles se separaram quando ela tinha 7 anos, . Cresceu, casou e sofreu agressões físicas de seu marido. Teve a primeira filha e adotou outra de 4 anos quando tinha 24. Se separou e perdeu tudo, inclusive a guarda das crianças por quase dois anos.  Na adolescência, uma de suas filhas começou a usar drogas e tentou se matar inúmeras vezes. Hoje tudo ficou pra trás. Sua vida inteira foi feita de provações, tragédias e superações. Como ela mesmo diz: “No fundo do poço costuma ter uma mola”. Teve uma vida difícil mas hoje adora suas marcas, pois elas representam sua força e superação.
Daniela
Futura mãe, advogada, palhaça nas horas vagas, 37 anos. Descobriu a endometriose em 2011 e por conta dela já sofreu um aborto espontâneo. Oito meses após este acontecimento conseguiu engravidar e está mergulhando no mundo da maternidade. Esta focando em ajudar mulheres que estão passando pelo mesma situação. A gestação está proporcionando muitas mudanças em seu corpo, sendo elas muito rápidas. Como ela mesmo disse: “Estou amando as minhas novas curvas. Barriga esticou, peito cresceu, bunda cresceu, rosto está mais cheio, braços e pernas mais gordinhos, celulite pra todo lado, mas estou incrivelmente linda gerando uma nova vida! Cabelo tá mara, a pele tá mara, o brilho no olho tá mara! Mega orgulho da minha barrigona!”.
Como toda mulher, gosta de algumas partes de seu corpo e de outras nem tanto. Quando perguntada qual parte que mais gosta, respondeu de cara que são as pernas. Em seguida sua boca, devido sua definição e seus cabelos, pela facilidade e praticidade. Já com relação às partes que menos gosta, relatou que sua barriga, seus seios e suas costas, por conta das celulites e gordurinhas.
Carolina
Comunicadora, 29 anos. Admira seus olhos e se queixa de suas pernas. Foi operada com 8 dias de vida, pois nasceu com o intestino dobrado. Passou por inúmeras superações: acidentes de carro, assédio, relacionamento abusivo, trabalho abusivo, ansiedade e depressão. Durante sua vida percebeu que seu corpo mudou, principalmente agora perto dos 30. Teve uma período que engordou muito por conta de medicação. Foi uma fase difícil e fez com que sua auto estima caísse.  Foi com terapia, coração aberto e amor que superou tudo aos poucos e vive um dia de cada vez. Esta transformando dor em luta, luto em verbo e política em ação.
Ana Paula
Mãe, fisioterapeuta, 35 anos. Ela diz estar bem satisfeita com sua profissão, pois melhora a qualidade de vida das pessoas. Com relação a seu corpo, diz que aprecia seus olhos, pois a partir deles enxerga o mundo. Afirma que durante a gravidez ocorreram muitas mudanças e que no começo foi estranho, porem depois amou o barrigão. Se sente incomodada com seus seios pois caíram após a amamentação, mas não sente vergonha de usar nenhum tipo de roupa.
Ela passou por uma separação e no meio de tanta turbulência, se reinventou para não fraquejar e conseguir dar a volta por cima pelo seu filho. Encontrou no esporte a forma de conectar corpo e alma. Segundo ela é incrível a sensação de se libertar dos fantasmas da mente e seguir com garra, determinação, amor e alegria: “Isso pra mim é viver!”.
Patrícia
Fisioterapeuta, 36 anos. Esta satisfeita com sua profissão, pois permite a ela uma estabilidade financeira. Luta com a balança desde nova e chegou a pesar 102 kg. Faz dieta a quase 2 anos. Hoje considera que mudou seu estilo de vida, se sente disposta, bonita e mais saudável. Afirma que nunca deixou a obesidade a abalar, porem se incomoda com as estrias. Fez uma cirurgia para retirada de um nódulo nas axilas, e por esse motivo já se limitou a não usar blusas que deixam os ombros de fora.
Andrea
Mãe, 51 anos. Ela é assessora de imprensa e tem dois filhos. Gosta de suas pernas, e disse que se incomoda um pouco com seu nariz. Uma mulher bem resolvida com relação a seu corpo, usa todos os tipos de roupa desde que tenha a ver com seu perfil
Jade
35 anos, mãe e fisioterapeuta. Percebeu que seu corpo estava mudando, principalmente na gestação, e encarou todas as mudanças de uma forma natural. Viu estrias começarem a aparecer e a evolução da flacidez, por conta disso não usa roupas que mostram a barriga. Ama seu trabalho, apesar da dificuldade de ser reconhecida.
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